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OS GAÚCHOS REESCREVEM A SUA HISTÓRIA

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          Por que é necessário rever e recontar a história?
 

          A História do Rio Grande já foi "contada" algumas dezenas de vezes, por dezenas de autores. Já abordaram aspectos filosóficos, políticos, econômicos, geográficos, até literários, do decênio heróico.

          Então, por que recontá-la, mais uma vez?

          A resposta é simples: Porque esta História contada até hoje é tendenciosa! Ela foi (e é ainda hoje) vista, pensada e escrita pelo ponto de vista dos vencedores, o Império Brasileiro... Do qual o Brasil de hoje é resultado. Mesmo quando escrita pelos autores gaúchos!

 

          Estereótipos
 

          Para entendermos melhor esta questão precisamos apresentar um termo "quase desconhecido": O Estereótipo!

          Segundo a conceituação corrente, estereótipos são "imagens" que se formam em nossa mente. Quanto mais informações e detalhes chegam ao nosso cérebro a respeito de uma imagem, mais forte e indestrutível ela fica, mais nós a conhecemos...
 

          Milhões de estereótipos povoam nossas mentes, e eles todos, juntos, se encaixam perfeitamente uns nos outros formando o nosso entendimento de "mundo" (incluindo nós e os outros). Se algum estereótipo destes não se encaixa, porque contém alguma informação contraditória, nosso cérebro vai atrás de explicações, vamos procurar entendê-lo... Busca encaixá-lo neste mundo que está construindo para que tudo fique no seu lugar... (Por isso os paradoxos nos aborrecem tanto! Mas isso é outro assunto).
 

          O fato é que nós formamos a maioria dos nossos estereótipos na infância, quando absorvemos as informações passivamente, guardando-as sem muitos filtros, sem ponderá-las.
 

          Algumas instituições e profissionais de propaganda investem conscientemente na "educação" infantil como forma de se enraizar e perpetuar suas existências. Há grupos como família, vizinhança, colegas de escola, que são estereotipadas pelas crianças ao natural, como elas realmente são.

          Mas aqui, na formação do "mundo" de um ser humano, encontramos forte a influência do Estado, do "status Quo".

          Trata-se de um meio termo entre os grupos conscientes e os inconscientes. O Estado está presente em tudo que a criança vê, toca, ou ouve. Principalmente agora, na era da TV e do computador.
 


 

          Criando Estereótipos
 

          Quando a criança é levada a se perfilar frente a uma bandeira e cantar um hino, reverenciar uma data nacional, ela não é perguntada se quer aquela ou outra bandeira, aquele ou outro hino, reverenciar a data nacional daquele ou de outro país! Mesmo porque ela não quer nem estar ali. Nem sequer entende o que está fazendo!
 

          Mas o "estupro" acontece, e ela vai se lembrar dele para o resto da vida! (A Igreja Católica não faz o mesmo na cerimônia do batismo?)
 

          Assim, de fato em fato, ano a ano, a presença constante do Estado, todos nós vamos sendo direcionados a entender-nos, desde pequenininhos, como "brasileiros"... Simplesmente brasileiros! E é tão fácil aceitarmos as coisas mais simples!

 
 

          A História Estereotipada
 

          Quando, finalmente, nos deparamos com a História do Rio Grande, estamos com o estereótipo de nacionalidade já pronto e acabado! Não ha dúvidas e nem por que duvidar: Sou um Brasileiro e ponto final!

          Incorporados a esta idéia, passamos a ler, observar e entender os fatos históricos interpretando-os sob a luz dos estereótipos que já temos enraizados em nossa cabeça. Assim a nossa própria história (Rio-Grandense) nos parece a história de um outro país, de pessoas e fatos distantes no tempo... Podemos comprovar isto com facilidade, quando notamos que os livros falam dos "Farrapos" na terceira pessoa do singular: "Eles"!

          É desta forma que se produz a história de uma nação vencida e escravizada sob a luz de uma outra nacionalidade!...

          Os primeiros escritores da nossa história só conseguiam publicar seus trabalhos se obtivessem o "de acordo" tácito ou por escrito do Estado. Mesmo que o Estado não fosse consultado, havia um certo comprometimento em "não ferir o orgulho nacional, a suscetibilidade dos governantes!". Uma característica bastante natural de um país imperialista.

          Citamos, à lo largo, Visconde de São Leopoldo, Alencar Araripe, Alfredo Varela... Ícones da historiografia gaúcha à luz do estereótipo brasileiro! "O Gaúcho", uma das obras mais famosas do final do século XIX, foi escrita pelo cearense José de Alencar, sem sequer ter visitado o Rio Grande! Uma ilustração, apenas.

 

          Não Há História Isenta

          Se todos nós, seres humanos, temos por natureza trabalhar a mente com estereótipos, também é verdade que toda a História contada por seres humanos haverá se ser estereotipada, seja qual estereótipo for!
 
          Desta forma podemos afirmar com segurança que
toda História é tendenciosa! Por mais que um especialista procure ver o fato em si, nu e cru, e tente retratá-lo aos demais da forma mais pura possível, sempre ele vai estar transmitindo, de forma intrínseca, "o seu entendimento" do fato. E o seu entendimento só pode ser formado pelo estereótipo de mundo que ele possui.
 
          Um exemplo bem simples e fácil de entender:

          O Tratado de Tordesilhas, 1494, estabelece que todas as terras descobertas do lado Leste da linha imaginária, mas perfeitamente estabelecida, pertenceriam a Portugal, e as do lado Oeste, à Espanha. Este Tratado foi lido, aceito e assinado pelas maiores autoridades dos dois países, formalmente, conforme os ditames da época.

          Pois bem, o que fizeram os Portugueses? Invadiram (e muito) as terras, que por lei do Tratado, pertenceriam à Espanha!

          Agora a questão do estereótipo: O que dizem os descendentes dos espanhóis (argentinos, uruguaios e outros)? Que Portugal invadiu suas terras e que os espanhóis de Buenos Aires e Paraguai estavam certos em lutar para retomar o que de direito era seu. Enfim, as terras usurpadas.

          O que dizem os descendentes dos portugueses (brasileiros)? Que era uma "terra de ninguém", que os bandeirantes as desbravaram e fincaram orgulhosamente a bandeira da Coroa por lá, e finalmente, por que havia uma lei chamada "uti possidetis"... Uma coisa tipo "quem foi ao ar, perdeu o lugar!", estariam os Portugueses com a razão.
 

 

          Por isso precisamos recontar a História do Rio Grande

          Resumindo,são dois pontos de vista bem distintos do mesmo fato. Se indagarmos sobre esta questão com professores, estudiosos, historiadores, ou mesmo com o Ministro a Educação, eles hão de enumerar uma centena (se bobear chegarão ao milhar!) de argumentos que comprovam e justificam seu ponto de vista! Seja de que lado eles estiverem.

          Desta forma podemos entender que não é uma questão de inteligência, mas apenas de disposição anímica de rever os fatos históricos sob a ótica de nosso sentimento nacional, ao invés de simplesmente aceitarmos o que nos é "imposto" pelo modelo pré-programado nacionalista brasileiro às nossas mentes infantis.
 

 

          Luigi Nascimbene

          Nós, do Movimento Rio Grande Livre, sempre pensamos que é fundamental para entendermos a nacionalidade gaúcha recontar a História do Rio Grande a partir do nosso ponto de vista, ou seja, sob a luz do estereótipo nacional rio-grandense. Vista sob este aspecto, nossa história nos trará uma forte evidência de que a nossa identidade gaúcha não é apenas regional, mas "nacional", por quanto formamos um grupo étnico: Pré-condição para assumir nossa nacionalidade.

          Até poucos dias atrás ressentíamos de historiadores reconhecidos que o fizessem. Tínhamos um artigo publicado aqui, um pequeno livro acolá, sem muita repercussão.

          Até que nos chega às mãos um livro que podemos classificar como "excepcional": Tentativa de Independência do Estado do Rio Grande do Sul, escrito pelo italiano Luigi Nascimbene.

          Este autor, longe de estar comprometido com o "status quo" brasileiro da época, relata a história da Guerra dos Farrapos sob o ponto de vista do inimigo do Império, o povo rio-grandense!

          Mais que isto, ele viveu a Guerra, conviveu e privou com heróis Farrapos, transmitindo à nossa época os pensamentos e os sentimentos daqueles homens admiráveis. Não mais temos que ler interpretações e conclusões tendenciosas através de atos, fatos, cartas e proclamações, feitas por historiadores nossos contemporâneos, sob a luz de seus estereótipos brasileiros... Agora temos relatado, por quem os conheceu pessoalmente, com o estereótipo deles mesmos e de sua época, quem eram de fato, como pensavam, quais seus reais objetivos, e principalmente qual o sentimento dos Farrapos em relação à República Rio-Grandense.

          Há controvérsias dizendo que Nascimbene não era exatamente "um historiador", e que escreveu o texto já de volta à Itália, e de memória, confiando apenas em suas anotações comerciais. Os textos introdutórios do livro levantam sérias restrições às suas afirmações, buscando a supremacia do "estereótipo brasileiro" sobre ele. No entanto, lendo o texto antigo com atenção aos preceitos dos estereótipos, podemos cada leitor, sacar nossas próprias conclusões independentemente das "introduções" contestatórias.

          Na seção "Livros" publicamos um ebook completo em .pdf que pode ser baixado, neste link. Bom proveito. 
 
          No sequência,
nós do Movimento Rio Grande Livre, seguiremos orgulhosamente a re-estudar a História do Rio Grande, em especial a Guerra dos Farrapos, sob a luz deste novo entendimento nacional, com base em Nascimbene, Domingos de Almeida e Garibaldi, autores supra-nacionais que, por isso mesmo, viveram os fatos e não estão impregnados do estereótipo brasileiro.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

   
Criado e Composto por Romualdo Negreiros - Porto Alegre - Capital da República Rio-Grandense - 2015