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                         RESUMO DA HISTÓRIA DA REPÚBLICA RIO-GRANDENSE

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ÍNDICE
1.   INTRODUÇÃO
2.   ESPANHÓIS OS PRIMEIROS
3.   A COBIÇA DOS PORTUGUESES
4.   PORTUGUESES INVADEM TERRITÓRIO ESPANHOL
5.   OS TROPEIROS E A GÊNESE DO GAÚCHO
6.   PORTUGUESES SE APROPRIAM DAS TERRAS ALHEIAS
7.   GAÚCHO NOS ENTREVEROS DOS IBÉRICOS
8.   REAÇÃO E A INDEPENDÊNCIA URUGUAIA
9.   CAUSAS DA REVOLTA FARROUPILHA E POSTERIOR GUERRA DOS FARRAPOS
10. A REVOLTA FARROUPILHA
11. A PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA E O INÍCIO DA GUERRA DOS FARRAPOS
12. A DERROTA
13. GAÚCHOS LUTAM POR SUA SOBERANIA
14. VARGAS CEDE AO BRASILEIRISMO

 



INTRODUÇÃO

 Segundo a Carta das Nações Unidas, todo povo tem direito à sua auto-determinação. Acrescentamos que, além disso, todo povo tem o direito a contar a sua história do seu modo, respeitando o seu ponto de vista.
 
Não é, em absoluto, o que acontece com o povo gaúcho, re-anexado ao território brasileiro após a derrota na Guerra dos Farrapos. A história do Rio Grande, contada por brasileiros (Ou por gaúchos dirigidos pela nacionalidade brasileira) possui inúmeros erros de interpretação, inúmeras omissões e super-valorizações de fatos não pertinentes ao nosso povo e à nossa cultura.
 
Buscamos aqui, pois, resgatar um pouco do que foi perdido durante os 170 anos de divulgação de nossa história distorcida pelos vencedores imperiais, com reflexos bem arraigados até nossos dias.
 
Apesar de respeitarmos a seqüência histórica não nos apegamos à dados técnicos dos fatos senão os básicos para sua compreensão. Os fatos são basicamente os mesmos, apenas serão contados a partir de uma visão exclusivamente gaúcha.

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ESPANHÓIS, OS PRIMEIROS
 
Antes da chegada dos europeus havia índios de várias nações espalhados pelas terras hoje pertencentes à República Rio-Grandense. Os Gês, atuais Kaingangs tomavam a região norte e nordeste por entre os acidentes da serra Gaúcha. No planalto central, lagoa dos patos e litoral leste dominavam os Guaranis que, segundo a localização ganhavam outros nomes: Tapes, Patos e Carijós, na ordem. Ao Sul, dominando o Taim e Lagoa Mirim estavam os Charruas, se estendendo a Oeste, até encontrarem com os Minuanos do pampa a Sudoeste e Oeste de nosso atual mapa.
A primeira incursão européia se deu pelo Oeste. Índios Guaranis da região do Guairá, hoje Paraná e Paraguai, reduzidos e comandados pelo Padre Roque González de Santa Cruz, fundaram em nosso solo a primeira Redução Jesuítica a 13 de Janeiro de 1626, a de São Nicolau do Piratiní.
 
Até 1634 foram fundadas mais 17 reduções, beirando os rios Ijuí, Piratiní, Jacuí, Ibicuí e Pardo pelas entranhas da então Província do Tape, desmembrada da Província do Paraguay, terras espanholas, acercando-se do Lago Guaíba. A intenção era colonizar o território em direção Leste até a saída pelo mar.

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A COBIÇA DOS PORTUGUESES
 
Mas a prata descoberta em Potosí, pelos espanhóis, no pé da Cordilheira dos Andes e que era transportada pelos rios Paraná e Uruguai até Buenos Aires, atiçava a cobiça portuguesa. Em seu caminho a Lei (O Tratado de Tordesilhas determinava todas aquelas terras aos Espanhóis) e as Reduções Jesuíticas, já bem civilizadas para a época.
 
A exemplo do ocorrido em Guairá, formaram-se grupos armados chamados Bandeiras, com os objetivos de escravizar os índios mais jovens e fortes, e destruir as reduções aqui estabelecidas.
 
De 1636 a 1641 os índios sofrem várias investidas dos bem armados bandeirantes sem chance de defesa, pois eram proibidos por lei de utilizarem arma de fogo. Só em 1641, enfim, liberados e construindo suas próprias armas, destroçam a bandeira de Raposo Tavares, a maior e mais bem armada de todas, na memorável batalha de M'Bororé, encerrando definitivamente o genocídio que estava em curso.
 
Por isso afirmamos que nossos ancestrais índios, os Guaranis, foram os primeiros heróis a defenderem bravamente nossas terras dos invasores.
 
Os sobreviventes da destruição bandeirante repassaram o rio Uruguai estabelecendo-se em terras hoje Argentinas. O gado, aqui deixado em grande quantidade, solto, foi se reproduzindo e se espalhando por todo o nosso território, ganhando o pampa e se tornando selvagem. Vindo a ser, posteriormente, grande riqueza natural da região, outro alvo da cobiça portuguesa naquela época.

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PORTUGUESES INVADEM TERRITÓRIO ESPANHOL (ATUAIS RIO GRANDE E URUGUAI)
 
Por conta desta cobiça, direcionada à prata espanhola que escoava pelo mar Del Plata, o Português Dom Manuel Lobo fundou, em Janeiro de 1680, a Colônia do Sacramento, um forte que abrigava ladrões, contrabandistas e aproveitadores portugueses, em nome da Coroa Portuguesa, atrevidamente em frente a Buenos Aires, do outro lado do rio, no território hoje pertencente ao Uruguai.
 
Se o perigo de assalto rondava as operações navais espanholas, também o tráfego marítimo dos portugueses com a Colônia não era facilitado. Era preciso abrir caminho por terra que unisse a colônia portuguesa do Brasil, com a cidade recém fundada, que era alvo de constantes guerras.
 
Nesse tempo, 1682, retornam os Jesuítas com levas de Guaranis às ruínas deixadas no território do Rio Grande, e iniciam o alceamento do gado aqui espalhado.
 
De Laguna, fundada em 1684 no extremo sul da Colônia Brasil, partem expedições objetivando abrir caminhos terrestres na direção de Sacramento. O filho do fundador de Laguna, Francisco de Brito Peixoto é o primeiro a se aventurar, abrindo caminho pelo litoral, mais desimpedido de índios.
 
Esta e as demais expedições logo perceberam que vicejava por todo o território hoje rio-grandense, uma riqueza quase tão importante quanto a prata: O gado selvagem.

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OS TROPEIROS E A GÊNESE DO GAÚCHO
 
Logo temos hordas de tropeiros vindos dos mais diferentes recantos do Brasil, mas principalmente de São Paulo e Laguna, recolhendo e levando o gado que, mesmo solto, pertencia aos Guaranis e à Espanha, pois aqui ainda era território espanhol.
 
Concomitantemente a estes acontecimentos, os Guaranis eram solicitados pelos espanhóis a ajudarem na defesa de seu território e na reconstrução de suas colônias atacadas pelos portugueses. Desta aproximação e encontro de etnias, surgiu um elemento mesclado, rechaçado de pronto por ambas as sociedades cristãs, e que, livre de leis e costumes, tomou conta da região pampeana. Esta foi a gênese do tipo humano gaúcho!
 
O Gaudério, nosso tipo humano característico, além de construir lentamente, como a natureza, sua identidade, passou a agir segundo um ou outro grupo europeu, não se definindo em preferências por um ou outro, nem considerando a justeza de suas reivindicações, muito embora estivessem bem mais próximos dos espanhóis que os geraram.
 
Nascidos livres das leis e regras de qualquer sociedade sentiam-se (como de fato eram) os legítimos e naturais donos deste país. Comerciavam o gado com os Portugueses a troco de nada e eram inconseqüentes nas compras: Erva-mate, violões, cachaça, fumo e apêros para seus cavalos. Tropeavam junto com os paulistas, e se empregavam nas estâncias cujos donos eram militares portugueses, em troca de teto e comida, um luxo para nossos gaudérios de então!

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PORTUGUESES SE APROPRIAM DAS TERRAS ALHEIAS
 
Assim foram os portugueses se apropriando destas terras e se estabelecendo. As guerras continuavam em Colônia do Sacramento e, agora, Montevidéu (cidade criada pelos espanhóis para impedir a investida portuguesa).
 
Em 19 de Fevereiro de 1737 fundam a cidade de Rio Grande, com a construção do forte Jesus Maria José, e em 1750 assinam o Tratado de Madrid, que determinou a expulsão dos índios, como sabemos, os legítimos donos destas terras. Ansiosa pelo fim das guerras, a Espanha junta seu exército ao de Portugal para expulsarem os índios, não conseguindo seu intento na primeira tentativa.
 
Foram dizimados, porém, na segunda e mais sangrenta guerra, após a morte de Sepé Tiaraju em 7 de Fevereiro de 1756. A 10 de Fevereiro na coxilha de Caiboaté foram mortos cerca de 2.000 índios e o restante se embrenhou pelos matos voltando à vida selvagem.
 
Não contentes com as vitórias portuguesas sobre esta região e na diplomacia européia, organizam os espanhóis uma expedição comandada por Dom Pedro Cevallos com o fito de recuperar o terreno perdido.
 
Logo após assinado o Tratado de El Pardo, em 12 de Fevereiro de 1761, que cancela em todos os aspectos o de Madrid, e retorna ao entendimento do Tratado de Tordesilhas, Cevallos parte para a recuperação de fato das terras espanholas, segundo a justiça do último tratado.
 
Em Outubro de 1762 reconquista Sacramento. Os portugueses fogem para Rio Grande. A 24 de Abril de 1763, Cevallos toma a cidade de Rio Grande, sem um tiro sequer, e os portugueses açorianos sobem a Porto Alegre. Sempre acossados pelas linhas de frente de Cevallos, vão se amontoar em Viamão.
 
Porém, a 6 de Agosto de 1763, quando se preparava para investir sobre Viamão, Cevallos é paralisado por uma convenção de suspensão de armas celebrada na Europa. Cevallos suspendeu as operações, mas não entregou o território já conquistado.
 
Só a 7 de Abril de 1776, desobedecendo a convenção, e unindo-se à esquadra da Inglaterra, os portugueses, com um exército três vezes mais numeroso que o espanhol e comandados pelo alemão João Henrique Böhm lograram retomar Rio Grande.
 
Extremamente descontente com a entrega do território espanhol, Cevallos retorna, revoltado, à Espanha e a 13 de Novembro de 1776, parte de Cádiz com uma esquadra de 116 navios e oito mil homens para retomar todo o terreno perdido. Conquista de imediato a Ilha do Desterro, hoje Florianópolis, recupera Colônia do Sacramento, mas a 1° de Outubro de 1777 é novamente barrado por uma jogada diplomática. É assinado neste dia o Tratado de Santo Ildefonso, que repõem as cidades e o território nas mãos portuguesas.
 
As reduções, que haviam sido retomadas pelos índios Guaranis após a expulsão dos padres jesuítas, não possuíam exército e se deixaram dominar facilmente ante um pequeno contingente de portugueses, comandados por José Borges do Canto em 1801.

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O GAÚCHO NOS ENTREVEROS DOS IBÉRICOS
 
Em todos estes entreveros, os gaúchos participaram de um lado e de outro, aprendendo a lides militares de ambos os povos da Europa. Mas sua participação foi mais notada por ocasião das revoltas por independência dos espanhóis da América, em 1810 na Argentina, e do Grito de Ascêncio em 28 de Fevereiro de 1811, iniciando a guerra pela independência no Uruguai.
 
Na realidade era somente as colônias espanholas se revoltando contra o domínio da Espanha. Buscavam criar as Províncias Independentes do Prata, uma união de estados independentes.
 
Porém, Portugal de olho na região do Prata, resolveu interferir com um "exército pacificador", ou seja, o intento era se aproveitar das fragilidades criadas pela discussão e lutas internas, para conquistar as terras a leste do Rio Uruguai, pertencentes ao país vizinho!
 
Reunindo um exército de três mil homens, entre os quais muitos gaúchos, Dom Diogo de Souza desloca-se pela campanha da República Rio-Grandense lentamente, formando acampamentos ao longo do caminho. Um deles, a Guarda de São Sebastião, deu origem à cidade de Bagé, e do acampamento do Major Xavier Curado, surge a cidade de Alegrete.
 
Por fim em Julho de 1811, Diogo de Souza conquista Montevidéu através de um acordo com parte dos uruguaios. A outra parte, comandada por Artigas, segue fustigando a cidade para retomá-la, conseguindo seu intento em 1815. Retira-se o Exército pacificador, mas Portugal não desiste. Forma, em Portugal, outro exército de Voluntários Reais, com 4.800 homens, com o objetivo de retomar Montevidéu, comandados pelo General Carlos Frederico Lecor.
 
Artigas é proclamado "El Protector de Los Pueblos Libres", tornando-se, em 1816, presidente da Liga Federativa, (Um país só de gaúchos!) unindo os povos do norte argentino, Uruguai e centro-oeste do Rio Grande, expulsando desta região qualquer europeu, português ou espanhol.
 
Porém em 20 de Janeiro de 1817, Lecor chega com força máxima à Montevidéu, tomando-a de imediato e anexando-a ao Brasil com o nome Província Cisplatina.

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REAÇÃO E A INDEPENDÊNCIA URUGUAIA
 
Só em 1825, após a proclamação de independência do Brasil, os orientais, liderados Por Lavalleja e Artigas, chamado o grupo de "los treinta y tres orientales", consegue o apoio popular e oferece verdadeira resistência ao mando de Lecor.
 
O exército argentino junta-se aos orientais, após importante vitória sobre as forças brasileiras, comandadas por Bento Gonçalves e Bento Manuel, e após outra vergonhosa derrota brasileira no Ituzaingó, conhecido como Passo do Rosário, a 20 de Fevereiro de 1827, o império resolve procurar a diplomacia para resolver a questão perdida nas armas...
 
No encontro do Rio de Janeiro a 27 de Agosto de 1828, com a intermediação da diplomacia Inglesa, já com os olhos voltados para a América do Sul, foi decidida e proclamada a independência da República Oriental do Uruguai.

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CAUSAS DA REVOLTA FARROUPILHA E POSTERIOR GUERRA DOS FARRAPOS
 
Este fato foi decisivo para a deflagração da Guerra dos Farrapos, apenas 8 anos depois.
 
A grande guerra que deu origem ao nosso país contou com a união de quatro pensamentos distintos, mas complementares...
 
1.. Os grandes estancieiros descontentes com as taxações elevadas sobre seus produtos, e com o descaso brasileiro com suas necessidades;
 
2.. Os militares descontentes com as decisões corporativas e não qualificadas relativas às promoções militares, sendo relegados a segundo plano no cenário imperial;
 
3.. Os estrangeiros expulsos de seus paises, que difundiam idéias liberais e democráticas, como República e Federação;
 
4.. Os separatistas, que viam como o melhor caminho para a paz e a prosperidade, a independência de nosso território, a exemplo dos argentinos, uruguaios, e demais paises de língua espanhola.
 
Estas idéias se interpenetravam e se fundiam em um idealismo regional capaz de mobilizar a população do Rio Grande em quase sua totalidade.

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A REVOLTA FARROUPILHA
 
O Coronel Bento Gonçalves da Silva, líder militar, grão-mestre maçom, elaborou junto com demais companheiros, a revolta farroupilha, movido pelas duas primeiras idéias numeradas acima. O objetivo era destituir o Presidente da Província Fernandes Braga, e solicitar ao Regente Feijó, interino pela minoridade do imperador Pedro II, a nomeação de um substituto a altura de nossas aspirações.
 
Na noite do dia 19 de Setembro de 1835, houve uma escaramuça entre a Guarda Municipal de Porto Alegre e um piquete avançado dos revoltosos na ponte da Azenha, hoje bairro do mesmo nome, dando início à ação militar da revolta armada. No dia seguinte Fernandes Braga foge covardemente a bordo de um brigue levando todo o dinheiro e documentos dos cofres públicos.
 
Dia 21, Bento Gonçalves entra na capital e assume o palácio do governo, entregando a administração ao vice de Braga, Dr. Marciano Pereira Ribeiro. Fica no aguardo das providências imperiais.
 
Mas o novo nomeado, José de Araújo Ribeiro, veio com claras intenções de esmagar a revolta e enviar os revoltosos ao Rio de Janeiro para as devidas punições.
 
Recusada e adiada sua posse na capital, ele assume em Rio Grande, ilegalmente, e organiza um exemplar exército para combater e capturar os revoltosos.
 
Coincide com a perda do domínio da capital pelos Farroupilhas a 15 de Julho de 1836. A revolta farroupilha, incompreendida pelo governo imperial, torna-se uma luta de vida ou morte aos envolvidos. Tomam força entre eles as idéias liberais e separatistas. (Itens c. e d.)

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A PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA E O INÍCIO DA GUERRA DOS FARRAPOS
 
Após vários combates de pouca monta, ocorre no dia 10 de Setembro de 1836, o encontro mais importante, no Seival, um afluente do rio Jaguarão, das forças do Gen. Netto com 300 homens, contra mais de 500 imperialistas comandados por Silva Tavares. A vitória de Netto é esmagadora! Embalados pela vitória, pelo patriotismo, pelo idealismo da independência, e pela perspectiva de se constituir um país republicano, o Gen. Netto, reunindo a cavalaria perfilada em campo, proclama a República Rio-Grandense. É 11 de Setembro de 1836 à tarde, e pela primeira vez ergue-se a bandeira tricolor da República Rio-Grandense!
 
Proclamada a República, registrada em ata, corroborada por decisão legislativa, empossados Presidente (interino), Vice e Ministros, além de comandantes de todas as graduações do exército republicano, tem início a Guerra dos Farrapos! Nação contra nação! Um povo lutando pela independência, soberania e reconhecimento, o outro lutando para mantê-lo preso e submisso à sua administração. A Guerra dos Farrapos é, para nós gaúchos, uma luta pela conquista da liberdade!
 
A partir daí contam-se inúmeros encontros, combates, guerrilhas, lutas internas, batalhas sangrentas, prisões e fugas, traições e por fim mortes, muitas mortes em holocausto a um ideal transcendental. Registramos aqui, por falta de espaço, apenas os momentos mais cruciais.
 
A 30 de Abril de 1838, cai Rio Pardo, a ex-tranqueira invicta, nas mãos de nossos guerreiros libertadores. Junto com os sobreviventes é preso o maestro Mendanha, mineiro, diretor da fanfarra imperial, juntamente com todos os seus músicos. O maestro fora contratado pelo império e não toma partido na Guerra. Não é, pois, um prisioneiro. Como precisávamos de um hino, os Farrapos encomendam-lhe. Nasce, assim, de sua cabeça, a música do nosso Hino Nacional Rio-Grandense conhecido até hoje.
 
Exatamente um ano depois, por ocasião da comemoração do aniversário da Tomada de Rio Pardo, foi executado pela primeira vez nosso hino antecipando um concorrido sarau.
 
A 27 de Fevereiro de 1844, Bento Gonçalves duela com seu primo Onofre Pires. O motivo é uma intriga criada por um dos traidores do Rio Grande, Vicente da Fontoura. Onofre vem a morrer em conseqüência do ferimento no braço provocado por Bento durante o duelo.

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A DERROTA
 
Abertura da Assembléia Constituinte em 9 de Janeiro de 1843. Além do momento inadequado, a instalação da Assembléia Constituinte veio dividir os Farrapos em blocos antagônicos, provocando a desistência de Bento da Presidência da República. Este foi o início do triste epílogo da Guerra.
 
Tratado de Ponche Verde, assinado em 1° de Março de 1845. Há grandes controvérsias a respeito da validade deste "tratado", uma vez que não anula os atos legalmente realizados pelos Farrapos, mas sugere que os esqueçam... Também devido à precariedade do documento, escrito em um papel ordinário, sem timbre, sem registro, sem reconhecimento legal... Ainda sugere-se sua anulação devido ao fato comprovado de que o Império brasileiro não cumpriu com todas suas cláusulas rabiscadas... E por último percebe-se na assinatura do documento a insigne ausência dos mais legítimos líderes e representantes do povo que lutaram bravamente para construir uma sociedade livre e liberta das amarras imperialistas.

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GAÚCHOS LUTAM POR SUA SOBERANIA
 
A 9 de Maio de 1865 tem início a Guerra do Paraguai, com a invasão de nosso território pela fronteira Oeste. Os paraguaios tomam São Borja, Itaquí e Uruguaiana. Tomam parte 10.800 rio-grandenses, incluindo nosso bravo Gen. Netto, vindo do Uruguai onde se auto-exilara e sua famosa Brigada Ligeira. Netto lutava o tempo todo com a bandeira tricolor da República Rio-Grandense desfraldada. A guerra termina em 1° de Março de 1870 com a morte de Solano Lopes, e com a população paraguaia reduzida à metade!
 
Tem razão quem afirma que nosso país foi marcado pela guerra. Apenas 23 anos após a Guerra do Paraguai, com o Brasil já feito uma república, nosso Rio Grande mergulha em uma nova guerra, desta vez muito mais sangrenta e cruel que as anteriores, a Guerra Federalista.
 
Teve início a 2 de Fevereiro de 1893, de um lado os Maragatos liderados por Gumersindo Saraiva e do outro os Pica-paus, exército regular (Brigada Militar) à serviço do governo de Júlio de Castilhos.
 
Apesar da República proclamada o Brasil continuava no sistema imperialista: províncias submissas ao poder central. O caudilho Julio de Castilhos fazia este jogo sujo e perpetuava-se no poder de forma fraudulenta, com a aquiescência e apoio bélico do governo brasileiro. Os maragatos lutavam por uma federação brasileira de verdade. Estados autônomos, soberanos, quase sem ingerência do governo central. Por isso chamavam-se Exército Libertador. Pois seu objetivo final seria a libertação da República Rio-Grandense e de todos os demais Estados da falsa federação brasileira.
 
Com a falta de apoio efetivo das demais unidades da federação, Gumersindo não ultrapassa a divisa do Paraná, e acaba retrocedendo ao Rio Grande. Morre em 10 de Agosto de 1894, e com ele morre a esperança de liberdade de milhares de gaúchos. A 23 de Agosto de 1895 é assinada a paz, em Pelotas.
 
Plasma-se, assim o sistema totalitário de Castilhos. Em Novembro de 1897 elege seu sucessor Borges de Medeiros, mandato que durou 30 anos. Apesar de caudilhos autoritários, neste período, seguindo a cartilha positivista de Comte, a Rep. Rio-Grandense experimentou grande desenvolvimento.
 
Mas o povo queria mesmo era sua liberdade. Em 8 de Janeiro de 1923, Assis Brasil comanda o início de uma nova revolução, onde despontam nomes míticos reconhecidos até nossos dias, como Honório Lemes, Zeca Netto e Leonel Rocha.
 
A paz veio com a assinatura de um acordo no castelo de Pedras Altas, pertencente a Assis Brasil. Era 14 de Dezembro de 1924, com ambas as partes satisfeitas.
 
A República Rio-grandense produziria mais dois personagens de projeção e influência, que pegaram em armas para destituir a ditadura que insistia em se perpetuar no Brasil. (Na verdade um país deste tamanho, e com tanta diversidade cultural, só pode ser governado mesmo por uma ditadura, nunca por um sistema parlamentar e democrático...).
 
Mas fiéis à sua sede de democracia, vemos Luiz Carlos Prestes liderar sua Coluna contra o governo de Arthur Bernardes, a despeito do arreglo de Pedras Altas... E mais tarde, já no governo do paulista Washington Luis, Getúlio Vargas lidera a frente revolucionária que vai sacá-lo do poder, no dia 30 de Outubro de 1930.

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VARGAS CEDE AO BRASILEIRISMO
 
Posteriormente, 10 de Novembro de 1937, o próprio Vargas percebe que, num país culturalmente heterogêneo, não pode haver Congresso. Sendo assim, aproveitando a onda nacionalista que assola o mundo, decreta o nacionalismo brasileiro (um grave erro), fecha o Congresso Nacional e desenvolve uma ditadura no melhor estilo caudilho rio-grandense...
 
Na verdade foi só neste momento que o Brasil conheceu seu período mais produtivo e desenvolvido.

A partir daí, o Brasil segue sua história e o Rio Grande cai num ostracismo e submissão tristemente comovente. Silêncio este quebrado somente em 1961, quando, após renúncia do Presidente Jânio Quadros, uma ameaça de golpe militar põem Leonel de Moura Brizola a frente de uma Resistência pela Legalidade, advogando a posse do Vice de Jânio, João Goulart.
 
A partir de 25 de Agosto de 1961, o Rio Grande vive dias de tensão, agitação e indignação. Há a ameaça de bombadeio sobre a capital, A Brigada Militar fica de prontidão. Tanques de guerra movem-se pelas ruas, Brizola fica entrincheirado no Palácio Piratini, e de lá comanda o Rio Grande por uma cadeia de Rádio. Há grande possibilidade de, inconformado, desanexarem a República Rio-Grandense da mentira da Federação brasileira.
 
No entanto, a 7 de Setembro do mesmo ano, é empossado legitimamente o vice João Goulart, o Jango.
 
(Continua)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
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