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          O gaúcho rio-grandense tem assistido sua identidade ser continuamente desconstruída ao longo das décadas e sendo substituída despacito pela brasileira, advinda de outra cultura – alienígena por assim dizer, como qualquer cultura que seja diferente de outra, ainda que vivam sob mesma jurisdição.
 
          Tudo começou pelos ataques sistemáticos à valentia e bravura tão característicos do gaúcho, principalmente midiáticos, de modo que passasse a ser reconhecido nacionalmente como o oposto. Isso foi tão fixado que terminou por virar um “estereótipo” no Brasil. Assim como baiano seria “preguiçoso” e carioca seria “malandro”, mineiro seria “quietinho”, gaúcho seria, então, “viado” - jeito chulo e vulgar para representar covardia.
 
          Outro ataque nacionalmente conhecido é o de tratar o gaúcho como “arrogante”, “prepotente”, “petulante”, “racista”, “nazista” e “preconceituoso”. O famoso bordão “os gaúchos se acham os melhores” sempre aparece quando um gaúcho expressa o seu patriotismo pelo Estado, seu orgulho por sua história e seu amor por sua terra e suas tradições. Como o brasileiro, na sua generalidade, não tem isso pelo Brasil, acaba por tentar fulminar – seja por inveja, seja por raiva ou preconceito – o que o gaúcho possui. Interessante destacar que normalmente pessoas de outros Estados e outras culturas tem o mesmo sentimento por seus Estados e seu povo, tanto é que fazem questão de ressaltar quando vão conversar com um gaúcho, apenas não aceitam que o gaúcho tenha o mesmo, incompreensivelmente.
 
          Por último, mas não menos cruel, temos a centralização midiática de uma cultura sobre todas as outras existentes no Brasil, qual seja: a carioca. E isso é por causa da Rede Globo de televisão. Neste ponto não é necessário maiores explanações, basta ligar a TV para visualizarmos sotaque, imagens, notícias, destaques, entretenimento, cultura e tudo o mais “do” ou que “envolva o” Rio de Janeiro, em mais de 90% de toda sua programação. O restante só aparece se ocorre um grande desastre natural ou uma tragédia criminal, ou qualquer outra coisa que possa dar algum ibope.
 
           Infelizmente, isso tem causado no gaúcho rio-grandense um distanciamento de si mesmo que somente o prejudica. Estamos cada vez mais brasileiros e isso é muito ruim, pois o Estado que antes tinha o melhor desenvolvimento e qualidade de vida, educação e saúde e governantes e dirigentes que valorizavam “o bigode”, está dando lugar para um Estado com caos na saúde, sem educação, com baixos índices e corrupto. E o pior, estamos aprendendo o “jeitinho”, tão estúpido quanto a dar um tiro no próprio pé. Estamos virando massa de manobra e aquele povo varonil que outrora se indignava e lutava para ter algo melhor está passando a falar “não adianta nada”, “é tudo igual”, “é assim mesmo”, etc.
 
          O gaucho está preferindo beber, sorrir e pular carnaval ao invés de lutar; está preferindo aceitar do que lutar; está preferindo ser dirigido do que dirigir; está amansado, e isso é culpa da “brasilidade”, tão amansada quanto o gado que o gaúcho sempre dominou. 
 
          Hoje, o Rio Grande do Sul assiste sua juventude reclamar de seu Estado, do frio que tanto nos identificava e nos orgulhava; está passando a achar o “ser” gaúcho como algo atrasado e alienador, naquele princípio do “o bom é o de fora”. O gaúcho rio-grandense está em um ponto em que lê um texto como esse e, se o termina, o considera algo burro, ignorante, ultrapassado e delirante.
 
          O gaúcho rio-grandense está quase em extinção... só não está por completo porque algo há em seu interior que teima em resistir e em lutar. É por isso que temos assistido à tantas manifestações de orgulho da própria identidade e de luta – mesmo que simbólica – por manter o que de melhor temos, o que nos faz saber quem realmente somos.
 
          O gaúcho tem que parar de sentir medo do que vão falar dele, de se importar com o que pensam os outros sobre suas paixões, seu amor e sua tradição. Não é o melhor Estado? E daí! É o NOSSO Estado, com nossos defeitos e nossas virtudes. 
 
          Seja vestindo uma bombacha, seja tomando um chimarrão em algum outro lugar, seja assando uma carne, seja falando de nosso jeito de jogar futebol e de encarar as coisas, o gaúcho tem conseguido lutar. E ainda há os que têm se organizado civilmente para defender esta identidade, regalo divino e natural dado aos homens e mulheres desta terra.
 
                A identidade pode estar sob ataque intenso nas últimas décadas, mas existem e sempre existirão os guardiães de fronteira!
 
                Um quebra loco de especial aos bravos guerreiros do Movimento Rio Grande Livre.
 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
Criado e Composto por Romualdo Negreiros - Porto Alegre - Capital da República Rio-Grandense - 2015