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DUAS VERSÕES, A MESMA HISTÓRIA

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O Rio Grande tem uma única história contada de duas formas diferentes, conforme as conveniências de cada corrente historiográfica.

Por que?

A busca da isenção no relato de uma história, é uma falácia. O "relator", por mais que queira olhar e relatar os dois lados das questões históricas de forma igualitária é parcimonioso. Sempre haverá o fato de que ele, relator, estará imerso em um mundo próprio: é o seu entendimento de mundo! Mundo que o envolve plenamente, e será a "base" sobre a qual ele irá escrever seus relatos. Ou seja, a maneira como ele entende o mundo será determinante para estabelecer "a visão" que adotará como balisa para expressar os seus relatos.

Um bom exemplo prático, é um jogo de Futebol: Time A ganha de Time B.

Os torcedores do time A contarão a história do jogo, de uma forma efusiva, destacando os gol, os principais lances, os principais jogadores da sua equipe.

Os torcedores do Time B terão um tom lamentoso, sóbrio, comentará os erros do árbitro, a infelicidade do(s) defensor(es) de seu time na hora do gol adversário, e possivelmente reclamarão da incompetência de alguns jogadores ou diretores que botou tudo à perder.

Enfim, o mesmo jogo, duas versões diferentes. Sem mudar a História!

 

Como aconteceu isto com o Rio Grande?

O ponto cruscial onde a História do Rio Grande tomou o curso de duas versões diferentes, foi o momento da Guerra dos Farrapos. Isso porque os gaúchos rio-grandenses, pouco menos de um ano após o início da Revolução, proclamaram-se um país independente com o nome de República Rio-Grandense.

A partir daí formaram-se duas fortes correntes contrárias. Dois exércitos: O Imperial e o Republicano! Como dois times de futebol (recordando o nosso exemplo). Lutaram, então, estes dois contendores, por mais oito anos e cinco meses! E a guerra terminou.

Tivemos um vencedor e um derrotado.

Então, como no nosso exemplo, o vencedor saiu contando a sua versão da Guerra, e o derrotado, outra!

Porém, a coisa foi mais profunda que um mero jogo de futebol, é claro!

O Império, como todo poder absolutista do mundo, incentivou os relatos da história rio-grandense que o favorecia, e proibiu fortemente, com perseguições, prisões e condenações, todo aquele que se atrevesse a contá-la de outra forma. Passaram-se cerca de cem anos até que aparecessem os primeiros livros sobre o assunto. E todos os escritores que o lograram já estavam completamente impregnados pelo "mundo imperialista", dos vencedores da Guerra dos Farrapos.

Os Republicanos de então, amordaçados, deixaram apenas "rastros" de seus mais caros pensamentos, em cartas, em textos escritos mas não publicados, e em alguns documentos que foram "salvos" por serem levados a outros países. Principalmente aos países do Prata.

Vamos, portanto aqui, a um pequeno resumo, quase tópico, evidenciando as ambiguidades de interpretações da nossa História.

 

 

Tópicos
HISTÓRIA DO RIO GRANDE

 

 

VERSÃO BRASILEIRA      
VERSÃO RIO-GRANDENSE
a. Gaúcho:
          Brasileiro que vive no Rio Grande do Sul.
a. Gaúcho
          1. Gentílico do Rio Grande;  
          2. Povo do Pampa; 
          3. "alma" (expressão cultural)
b. Origem do Gaúcho:
          Açorianos vindos de Laguna e Sacramento, mamelucos bandeirantes, imigrantes (Na maioria Italianos e Alemães). Quanto à semelhança com o Gaúcho Platino, credita apenas à influência das fronteiras.
b. Origem do Gaúcho:
          Mestiços pampeanos (espanhol e guarani civilizado), índios (Charruas, Minuanos, Patos e outros), negros fugidos, mamelucos (mescla de portugues e guarani capturado), fugidos das Bandeiras.
          Como sub-raça ou mestiço, o Gaúcho foi extinto durante as Guerras Cisplatinas. Sua Cultura permanece e se expande, dando origem à Cultura Gaúcha atual.
c. Revolução Farroupilha:
          Fomenta-se a confusão de nomes ("Revolta Farroupilha", "Revolução Farroupilha", "Guerra dos Farrapos", "Guerra Farroupilha", "Década Farroupilha" e outros) considerando todos como expressão de um mesmo acontecimento: Uma Revolta! 
          Teve como motivos os interesses econômicos dos estancieiros e charqueadores, e se transformou na luta por uma República Brasileira.
          A Revolta durou 10 anos e terminou com o acôrdo de paz de Ponche Verde, bom para os dois lados.
c. Revolta Farroupilha e Guerra dos Farrapos (momentos diferentes da nossa história):
 
 
          Revolta Farroupilha: "Farroupilha" era um movimento espalhado por todo o Brasil que lutava para destituir e repatriar todos os portugueses (nascidos em Portugal) que exercerciam cargos públicos, substituindo-os por brasileiros (nascidos no Brasil).
          Os Farroupilhas rio-grandenses eram mais exaltados. Bento Gonçalves era Maçom e Farroupilha. Liderava um forte grupo de estancieiros descontentes com as medidas do Governo Brasileiro.
          Os militares também estava descontentes devido ao desprestígio e injustiças nas promoções.
           Desta forma juntaram as forças “farroupilhas”, "estancieiros" e "militares". Somando-se a estes os ideólogos Republicanos e Separatistas.
          Não obstante
 todos eles intitulavam-se: "Farroupilhas", apenas! E a revolta que iniciaram é o que chamam, comumente de “Revolução Farroupilha”, ou “Revolta Farroupilha”.
          Esta revolta farroupilha, que começou em 20 de Setembro de 1835, terminou em 23 de Outubro de 1835: Durou apenas um mês e três dias! (1)
 
          Guerra dos Farrapos: Os Farroupilhas gaúchos foram perseguidos mas nunca presos, pois resistiram...
          Em 11 de Setembro de 1836 proclamaram a República Rio-Grandense, satisfazendo as correntes ideológicas em maturação.
          Constituindo-se um novo país, independente do Brasil, passaram de “revoltosos” a “soldados”. De "Farroupilhas" a "Farrapos"!
          Tem início neste dia a Guerra dos Farrapos!
          Durou exatos oito anos, cinco meses e dezessete dias, e terminou com derrota (Deposição de armas), na "Traição" de Ponche Verde.
d. Federação:
          Segundo o entendimento brasileiro, esta reivindicação dos Farrapos teria se concretizado em Novembro de 1889, com a Proclamação da República Federativa do Brasil.
          Considera, pois, o atual sistema centralista brasileiro, uma "Federação"!
          Segundo esse entendimento os Farrapos nunca deixaram de ser brasileiros e sua luta objetivava apenas um Brasil Republicano.
d. Federação:
          No entendimento da época (1835) significava uma união de países (Províncias, Estados, Colônias, etc.) independentes.
          Os Farrapos propugnavam por uma Federação com os demais estados que se independentizassem do Império Brasileiro.
          É o que entendemos hoje por Confederação, ou Mercado Comum (Ex. União Européia).
e. Tratado de Ponche Verde:
          Atendimento das reivindicações dos rebeldes e a Paz!
          Bom para todos!
e. Tratado de Ponche Verde:
          - Não existiu.
          - Foi uma traição e derrota.
          - As condições para a paz não foram cumpridas.
          - O país "República Rio-Grandense" não foi extinto.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

(1) - (AMI.1835-BGS – Coletânea de Documentos de Bento Gonçalves da Silva, Pág. 275, Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul, 1985).

 

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